quinta-feira, 28 de junho de 2012

sábado, 26 de maio de 2012

A casa do futuro é verde


Responsável por 40% do consumo de energia no mundo, padrão de edificação atual é insustentável. A boa notícia: tecnologia já está disponível e não há perda de conforto. Falta o mercado se adaptar


Cecília Ritto e João Marcello Erthal
Movimento Terras: condomínio de oito casas em Pedro do Rio, distrito de Petrópolis, será o primeiro na América Latina a ter a certificação Breeam, a mais rigorosa em critérios ambientais

Movimento Terras: condomínio de oito casas em Pedro do Rio, distrito de Petrópolis, será o primeiro na América Latina a ter a certificação Breeam, a mais rigorosa em critérios ambientais (Divulgação)




Clóvie Deangelo

Em Cubatão, o conjunto habitacional Rubens Lara foi reconhecido pela ONU como uma construção sustentável
Em uma área verde a duas horas do Rio de Janeiro começa a ganhar forma o que pode ser a casa do futuro. A água dos chuveiros e torneiras será reaproveitada para a descarga dos banheiros, e o esgoto passará por tratamento nas instalações de cada uma das oito residências do condomínio, na região de Pedro do Rio, distrito de Petrópolis. O planejamento de iluminação, com amplas janelas e luzes de led de baixo consumo, deve reduzir a conta de energia elétrica em até 30%. O aquecimento de água é feito com placas solares. Apesar do padrão sofisticado, não há previsão de ar-condicionado. Em vez disso, há um telhado com cobertura vegetal, que reduz em 30% a variação de temperatura em relação ao ambiente externo. A primeira casa está em construção, e os preços começam em 1,1 milhão de reais.

O projeto, uma exceção nos padrões brasileiros, segue regras que já vigoraram na Europa e nos Estados Unidos, onde há cerca de 200.000 construções com o selo Breeam (Building Research Establishment Environmental Assessment Method), considerada a mais rigorosa certificação em matéria de exigências ambientais. O condomínio Movimento Terras foi pensado para ser uma casa de campo de luxo. Mas morar e construir de forma “sustentável” caminha para ser o padrão em um futuro próximo. “Há quem pense que uma casa sustentável é algo de garrafas pet. Definitivamente, não é o caso”, diz o arquiteto Sérgio Conde Caldas, que coordenou os projetos do empreendimento.

O modo de vida em um mundo mais preocupado com o meio ambiente passa, necessariamente, por transformações na forma de morar e fazer casas. O padrão de edificação nos dias de hoje é algo altamente poluente – ou, para usar a palavra do momento, insustentável. Prédios comerciais e residenciais são responsáveis por 40% do consumo anual de energia do mundo, por um terço dos recursos naturais consumidos pela sociedade – incluídos na conta 12% de toda a água potável da terra – e por 40% do lixo sólido. Os recursos são consumidos de forma inadequada na construção e ao longo da vida útil dos imóveis, com o alto consumo de energia para climatização, iluminação e aquecimento de água.
A mudança no padrão mundial de edificação é uma recomendação da ONU para que o planeta ponha em prática a "economia verde", que estará em debate durante a Rio+20, em junho. De forma geral, conhecimento, técnicas e materiais para que casas e edifícios sejam ambientalmente mais adequados são conhecidos. Mas as experiências nesse sentido ainda são limitadas. No Brasil, o conjunto habitacional Rubens Lara, em Cubatão, é considerado um exemplo de construção ‘verde’. No lugar de madeira, esquadrias metálicas; em vez de eletricidade para esquentar a água, energia solar. As medições de gás, energia e água são individuais – o que estimula cada família a controlar melhor o seu consumo. As 1.840 unidades do Rubens Lara fazem parte do projeto do governo paulista que prevê a remoção de 7.760 famílias moradoras de áreas irregulares do parque Serra do Mar. O Rubens Lara foi reconhecido pelo programa Iniciativa de Habitação Social Sustentável (Sushi), que faz parte do programa da ONU para o meio ambiente.

O estado de São Paulo tem investido na construção de casas ambientalmente corretas desde o governo passado. “As moradias têm inovações que passam pelo aquecimento solar, pé direito com cerca de 2,60 m (os convencionais têm 2,40), janelas maiores para ajudar a ventilar e iluminar”, explica o secretário estadual de Habitação de São Paulo, Silvio Torres. Com as mudanças, afirma Torres, houve redução de 30% no consumo de energia nessas residências. De 2009 a 2012, foram construídas 60 mil unidades habitacionais verdes bancadas pelo estado.

Como trata-se de exceção, a construção de um edifício sustentável hoje ainda é cerca de 10% mais cara. Os benefícios vêm depois, com os gastos menores nas contas de consumo e na manutenção. O presidente do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, Marcelo Takaoko, enxerga benefícios além da economia. O investimento nessa tendência de construção, afirma, facilita a manutenção, reduz a incidência de doenças e estimula a família no emprego e na escola. “Se você entrega uma casa com sistemas mais práticos, até nos materiais de limpeza há economia. A tendência mundial hoje é aumentar as moradias. Em uma casa com padrões mínimos de conforto, fácil de manter e limpar, as famílias produzem mais, crianças aprendem melhor”, acredita.

Ainda são poucas as edificações brasileiras com certificados de sustentabilidade. O selo LEED, um dos mais conhecidos, foi dado a apenas 500 prédios no país. Márcio Santa Rosa, engenheiro e coordenador da pós-graduação Economia e Gestão da Sustentabilidade na Construção Civil, da UFRJ, que também é gerente do plano de sustentabilidade do Rio de Janeiro para as Olimpíadas de 2016, calcula que metade desses “comprovantes verdes” esteja em São Paulo. “É difícil popularizar porque há um custo. Mas as classes média e alta estão tendo maior aceitação hoje. Em parte, por uma expansão da consciência ecológica, mas também porque chegam ao mercado produtos ‘verdes’ com maior qualidade. Em São Paulo, há mais prédios com certificação porque há uma expansão da construção para a classe A e pela existência de muitas multinacionais que querem manter o padrão usado lá fora”, explica Santa Rosa.

Ainda assim, no Brasil, somente 1% das construções de médio e alto padrão têm selo de sustentabilidade. Nos EUA e na Europa, isso representa cerca de 15% do mercado imobiliário. Aproximadamente 500 edificações brasileiras estão na fila para reivindicar o selo Leed, o que demora dois anos para ser expedido. No Rio, em 2007, havia apenas dois prédios com certificação. Chicago, que competia com o Rio para sediar as Olimpíadas de 2016, tinha mais de 600. O Comitê Olímpico Internacional (COI) exige construções verdes. Tanto que, em Londres, uma das técnicas usadas no Parque Olímpico foi a colocação de telhados verdes, que reduzem a temperatura em até três graus.

De volta à realidade brasileira, ainda há um longo caminho a ser percorrido. Enquanto na cidade-sede dos Jogos Olímpicos 2016 ainda vigora uma lei que obriga os novos prédios a terem quarto de empregada, na Europa de forma geral uma habitação reformada ou nova só pode ser erguida ou modificada se tiver padrões mínimos de eficiência, sobretudo energéticos. Caso contrário, a prefeitura não dá autorização para habitar.


Divulgação

Reaproveitamento de água, energia solar e telhado com cobertura vegetal: consumo de 30% na conta de energia no condomínio Movimento Terras

A proposta da ONU para as edificações ‘verdes’ começa pelo poder público. As recomendações das Nações Unidas são para que prédios públicos, como hospitais e grandes edifícios, sejam o ponto de partida para uma mudança de padrão. Afinal, é preciso criar escala para que produtos e normas ambientalmente corretas sejam também rentáveis. Enquanto a indústria não faz a virada, a preocupação ambiental se mantém no campo das exceções. As oito casas do condomínio Movimento Terras foram projetadas desde o início de acordo com preceitos de interferência mínima no meio ambiente. Isso significa, por exemplo, construir com mínima interferência no terreno, considerando para o empreendimento o movimento dos ventos e todo o ambiente ao redor – exigências para a certificação Breeam.

Conde Caldas explica que, desde o início, a ideia foi construir de forma sustentável, mas tendo o conforto como um diferencial. “Não queríamos construir de forma artesanal. Procuramos os fornecedores e conseguimos envolver os fabricantes no projeto. O objetivo não é fazer uma vez diferente e isso se perder. Queremos desenvolver conhecimento e estabelecer um novo padrão de construção”, explica o arquiteto.

O conforto térmico permitiu eliminar o ar-condicionado. “Se o comprador quiser, pode até instalar, mas não previ isso no projeto, de propósito”, diz Conde Caldas. A água da chuva é captada no telhado para reaproveitamento no jardim, sem tratamento. Já a água “cinza”, ou seja, usada nos chuveiros e torneiras, é reaproveitada na descarga, depois de tratamento. Cada casa tem uma pequena estação de tratamento de esgoto (ETE). A previsão é de que a economia de água e energia nas unidades do Movimento Terras seja de 30%. Todo o aço usado é reciclado, as madeiras e outros materiais têm comprovação de origem.

O mercado de construção tem itens que permitem, mesmo em uma reforma, reduzir o consumo e o impacto ambiental de uma casa ou apartamento normal. Entre eles, estão as válvulas de descarga com dois níveis de acionamento, lâmpadas de led, painéis de aquecimento solar e janelas com vidros que reduzem o aquecimento causado pela luz solar, sem escurecer tanto o ambiente.

“O diferencial ambiental é um argumento a mais para a venda, mas ainda não é algo que motive isoladamente a compra. Mas o que percebemos é que faltam alguns passos para que a cultura de construções ambientalmente corretas se consolide no Brasil”, avalia Patrícia Judice, que gerencia as vendas do empreendimento.

Indústria de embalagens está mais sustentável


Maior preocupação com o meio ambiente faz com que os fabricantes passem a dar preferência ao papel impresso em seus produtos, ao invés de plástico


A produção de embalagens impressas teve um crescimento de 1% no mês de março, em comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados são da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (ABIGRAF Nacional), com base em informações do IBGE.
Embalagens
O levantamento mostra uma queda de 12% na confecção de embalagens plásticas e crescimento de 3,9% das impressas em papel e papelão. Os índices apontam uma maior preocupação ambiental dos fabricantes.
Ainda segundo a pesquisa, entre abril de 2011 e março de 2012, o setor apresentou um crescimento de 3,87% na produção dos produtos em papel cartão e redução de 6,51% nos de plástico, em comparação aos 12 meses anteriores.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Gripe, alergia ou resfriado?

Com a queda na temperatura, o ar seco (apesar das chuvas esporádicas) aumenta os casos de crianças com gripes, resfriados e crises alérgicas. Saiba como diferenciar os sintomas dessas doenças


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Atchiiiim! Seu filho espirra e você já se pergunta: será que é gripe? Mas o sintoma também é comum em alergias e resfriados. Como saber a diferença? A gripe é causada pelo vírus influenza A e B, que sofre mutações sazonais. Já o resfriado é causado pelo rinovírus em 70% dos casos. E são mais de 100 tipos, daí a dificuldade de 
se desenvolver uma vacina. Ambos são bastante contagiosos, sendo transmitidos até por gotículas de saliva. Estudos mostram, porém, que a principal via de transmissão dos vírus do resfriado e da gripe é manual. A criança espirra sobre um brinquedo e, minutos depois, outra toca no lugar e leva a mão ao nariz ou à boca. Contágio feito! 
Na grande maioria dos casos, o resfriado afeta nariz, ouvido ou garganta, provocando coriza, irritação das mucosas, tosse, espirros e, às vezes, a criança pode ter febre baixa. Se for gripe, os sintomas costumam ser mais intensos e incluem febre alta, dores musculares, cansaço e dificuldade para respirar, situação em que a criança deve ser levada ao médico assim que possível para verificar se existem outras doenças associadas.
Já as alergias - respostas do organismo a substâncias consideradas alérgenas - muitas vezes se confundem por apresentarem quatro dos principais sintomas de gripes e resfriados: coriza, espirros, prurido (mais ralo e incolor, ao contrário do produzido em casos de gripes e resfriados, mais amarelados ou esverdeados) e obstrução nasal. Ao contrário de gripes e resfriados, são causadas pelo contato direto com a substância que causa a irritação e não causam febre e mal-estar generalizado. 


Olavo Mion, otorrinolaringologista da Academia Brasileira de Rinologia (ABR), aponta uma maneira que pode sugerir a hipótese de uma alergia: "A alergia se manifesta toda vez em que a criança entra em contato com o alérgeno que, em casos de rinite alérgica, pode ser ácaro e poeira, pelos de animais, pólen ou fungos. As gripes e resfriados são mais esporádicas e, depois que se manifestam, não costumam acontecer em seguida. Se os sintomas se repetirem diversas vezes em um curto período de tempo, pode ser sinal de reação alérgica”.



Como tratar

O tratamento no caso de gripes e resfriados tem como objetivo aliviar os sintomas, pois em geral a cura é espontânea. Durante o período em que seu filho estiver doente, ele pode perder o apetite. Isso é normal! O importante é mantê-lo hidratado. Ofereça sucos, água, chás. Estimule também a criança a assoar o nariz várias vezes ao dia, e faça lavagem com soro fisiológico. No caso de febre, controle com banhos ou antitérmicos. E lembre-se: nunca use nenhuma medicação no seu filho sem que antes tenha conversado com o médico dele.No caso de alergias, é necessário procurar um especialista para identificar o causador da irritação e poder, então, eliminá-lo. Além disso, antialérgicos aliviam os sintomas e diminuem o incômodo. “Lavar olhos e nariz com soro fisiológico é uma maneira simples de ajudar no tratamento e na prevenção de alergias”, complementa Mion. 




Como prevenir 
A proliferação de gripes, resfriados e, principalmente, alergias, estão diretamente relacionadas a qualidade do ar atmosférico. O ar que é mais saudável para o ser humano é limpo, mais quente, mais úmido. Nos dias mais frios, o clima está mais seco e, por isso, mais poluído. Como as vias respiratórias ficam sobrecarregadas – porque o ar que chega ao nariz e aos pulmões estão com uma qualidade pior – o corpo fica mais suscetível a infecções. Abaixo, você confere dicas para prevenir contaminações: 

- Evite levar seu filho a locais fechados e com aglomerações, como shoppings e buffets;

- Estimule as crianças a lavar as mãos várias vezes ao dia; 

- Aplique soro fisiológico no nariz de seu filho pelo menos 4 vezes ao dia para evitar o ressecamento da mucosa ou o “entupimento” nasal; 

- Ofereça bastante líquido às crianças para que elas fiquem hidratadas e possam enfrentar o tempo seco com mais facilidade; 

- Mantenha a casa sempre limpa e arejada; 

- Se for usar um umidificador, fique atenta e monitore-o para ter certeza de que o local não está ficando, ao contrário do que se quer, úmido demais, favorecendo a proliferação de fungos.
Fugindo da alergia
No período em que a criança estiver gripada, algumas atitudes podem melhorar os sintomas. Essas ações também são aconselháveis para os alérgicos. 

- Limpe a casa com pano úmido e aspirador de pó diariamente. As vassouras levantam poeira; 

- Troque as roupas de cama da criança duas vezes por semana; 

- Retire tapetes, carpetes e bichos de pelúcia do quarto de seu filho; 

- Não entulhe coisas em estantes, para evitar o acúmulo de poeira; 

- Os pelos dos animais são agentes agressores ao sistema respiratório, principalmente de quem tem asma, rinite ou está gripado. Por isso, antes de adotar um animal de estimação, melhor conversar com o pediatra e, se for o caso, escolher uma raça ou bicho que cause menos alergia.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

7 alimentos que você não deveria ter na sua geladeira

O consumo de alimentos não-saudáveis pela população está cada vez maior, devido à falta de tempo das pessoas e a praticidade no preparo dos mesmos. Além disso há a mídia, que veicula na TV e em impressos cada vez mais propagandas sobre estes alimentos. Quais seriam eles? Os alimentos industrializados, ricos em gorduras, sal e açúcar, e que são prejudiciais à nossa saúde. Gorduras e açúcar em excesso podem facilitar o ganho de peso, o aumento das taxas sanguíneas e o desenvolvimento de algumas doenças. O sódio pode predispor à hipertensão e retenção de líquido. Você tem noção de quanto alimento não-saudável há na sua casa? Comece olhando a sua geladeira. Segue abaixo uma lista com os mais comumente encontrados e seus prejuízos:
Refrigerantes: se encontrados na versão “normal” possuem grande quantidade de açúcar, se na versão “light” ou “zero” apresentam alto teor de adoçantes artificiais, além do gás e outras substâncias químicas. Portanto, uma boa escolha seriam os sucos naturais de frutas, chás ou água de coco. Sucos industrializados: da mesma forma que os refrigerantes, possuem muito açúcar na versão “normal” e muito adoçante na versão “light”, além dos conservantes. Como já citado acima, escolha opções mais naturais Alimentos prontos congelados: possuem alto teor de gordura e sódio. Procure preparar os alimentos com ingredientes naturais, que sua refeição será muito mais saborosa e terá uma quantidade significantemente menor de gordura e sódio. Temperos prontos para saladas: muito práticos e saborosos, porém, também apresentam alto teor de sódio e gordura. Prepare em casa molhos à base de limão, azeite, sal light e ervas finas que sua salada ficará super saborosa Doces de frutas enlatados: com alto teor de açúcar, podem ser substituídos por frutas in natura. Maionese: possui alto teor de gorduras. A versão “light” pode ser uma escolha melhor. Temperos prontos para comidas: ricos em sódio e gorduras. Dê preferência aos temperos naturais: alho, cebola e ervas finas. A partir desta lista, dê uma olhada na geladeira e veja quanto produto nocivo à sua saúde você pode ter em casa. Lembre-se de dar sempre preferência aos produtos naturais, evitando sempre produtos em “caixinhas”. Desta forma, você garantirá a toda sua família uma alimentação mais saudável. Carol Sessa é nutricionista especialista em Nutrição Humana e Saúde e em Terapia Nutricional. Atua na área de nutrição clínica do “Espaço Terapêutico” em Vila Velha – ES. www.nutricarol.com.br. CRN: 2005100649/ES. Fonte:http://idmed.uol.com.br/Nutrição/Alimentação/7-alimentos-que-voce-nao-deveria-ter-na-sua-geladeira.htmlhttp://bibliotecademedicina.com.br/blognutricao/?m=201007

sexta-feira, 20 de abril de 2012

SAERJ 2012

Na próxima semana, estaremos vivenciando uma nossa experiência em avaliação sistêmica para Biologia, Química e Física nas Escolas Estaduais do Rio de Janeiro, O SAERJ. Vou postar aqui alguns conteúdos, que obedecem às Habilidade e Competências estabelecidas pelo currículo mínimo proposto pela SEEDUC.

ORIGEM DA VIDA NA TERRA -- Turmas 1001 e 1002

Prof. Renato Las Casas

Existe vida no planeta Terra!

Das duas, uma: Ou a vida se formou aqui, a partir dos elementos químicos que deram origem ao nosso planeta ("Geração Espontânea"); ou a vida veio de fora, em estágio de desenvolvimento que pode ter sido mais ou menos complexo ("Panspermia").


"A Origem da Vida" é uma das grandes questões científicas da Humanidade e tem sido abordada pelos mais ilustres pensadores há milênios.
Anaxágoras, precessor de Sócrates, advogava a favor da "Panspermia".
Aristóteles defendia a "Geração Espontânea". Foi ele o formulador da primeira teoria científica de origem da vida, que conhecemos. De acordo com sua teoria, existiriam dois princípios: um passivo, que é a matéria e outro ativo, que é a forma. Dentro de certas condições esses dois princípios se combinariam, originando a "vida". Assim se explicava como carne podre gerava larvas de moscas, por exemplo.

A teoria da Geração Espontânea tem tido a preferência da ciência há mais de 2.000 anos. Durante a idade média, contou com inúmeros ilustres defensores, tais como Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, René Descartes e Isaac Newton.
Um dos primeiros opositores de destaque à "teoria oficial" da Geração Espontânea foi o médico e naturalista florentino Francesco Redi (1626-1698). Em resposta a Aristóteles, Redi demonstrou experimentalmente que só aparecem larvas de moscas na carne podre, quando deixamos moscas pousar nessa carne.
A teoria da Geração Espontânea, tal como formulada por Aristóteles, só foi refutada definitivamente no século XIX, graças ao trabalho de Louis Pasteur.
Com o reconhecimento que a vida provém sempre de outras formas de vida, Lord Kelvin, um dos mais importantes cientistas do final do século XIX, retomou a teoria da Panspermia, segundo a qual a vida teria sido "semeada" em nosso planeta, vinda do espaço.


Nas últimas décadas cresceram mais as dúvidas, que o nosso entendimento relativos à teoria da Geração Espontânea. Essa teoria continua sendo a mais aceita, menos por "evidências" a seu favor e mais pela nossa dificuldade no entendimento de certas questões básicas relativas à Panspermia (Como a vida poderia sobreviver à radiação emitida pelas estrelas e presente por toda Galáxia?; Como a vida poderia ter "viajado" até nosso planeta?; etc.)
No século passado a idéia "panspermica" ressurgiu com força. Algumas teorias espetaculosas, tal como a "Panspermia Dirigida" de Francas Circo e Lesei Orle, foram muito discutidas, principalmente por seu forte apelo entre os amantes da ficção científica. Segundo esses autores, seres inteligentes pertencentes a outros sistemas planetários, teriam colonizado a Terra e provavelmente outros planetas. O grande argumento a favor dessa teoria estaria no fato do molibdênio, elemento raro no nosso planeta, ser essencial para o funcionamento de muitos enzimas chave do metabolismo dos seres vivos.
A Nova Panspermia

Fred Hoyle foi um dos maiores defensores da Panspermia. Juntamente com Chandra Wickramasinghe, formulou a "Nova Panspermia", teoria segundo a qual vida se encontra espalhada por todo o universo. "Esporos de vida" fazem parte das nuvens interestelares e chegam a planetas próximos às estrelas, abrigados no núcleo de cometas. Esses "esporos" já conteriam códigos que regeriam seus desenvolvimentos futuros.
Uma teoria para ser científica, deve, pelo menos em princípio, poder ser verificada na prática.
Hoyle e Wickramasinghe, e agora apenas Wickramasinghe, têm procurado identificar os componentes presentes na poeira interestelar, através de "traços" que esses componentes possam ter deixado na radiação infravermelha emitida por essa poeira ou na absorção da luz visível que atravessa essas nuvens.
Através dessas análises, na década de 70, constataram a presença de "polímeros" complexos, especialmente moléculas de "poliformaldeídos" no espaço. (Essas moléculas estão fortemente relacionadas à celulose.) Hoyle e Wickramasinghe se convenceram que polímeros orgânicos representam uma fração significativa da poeira interestelar.

E seriam os cometas os semeadores desses esporos de vida através do universo?
A análise de meteoritos procurando a identificação de "vida fossilizada", tal como foi amplamente divulgada na década passada através dos estudos realizados sobre o meteorito de nome EETA79001 (de origem provável de Marte), está ainda longe de nos dar resultados conclusivos.
Mas essa questão pode estar próxima de ser definitivamente respondida. A "Agência Espacial Norte Americana" (NASA), através do programa "Stardust", pretende, ainda na década atual, colher e analisar amostras de núcleos cometários. Será a constatação "in loco" da existência ou não de vida nos cometas.

A primeira possível identificação de vida microscópica extraterrestre, entretanto, foi divulgada em julho passado. Falando em um congresso de especialistas em San Diego (EUA), Wickramasinghe apresentou resultados da análise de amostras de ar da estratosfera, colhidas por balões da "Organização de Pesquisas Espaciais Indiana" (ISRO).
Segundo Wickramasinghe, foram encontradas evidências muito fortes da presença de vida microscópica à altura de 41 km do solo; bem acima do limite máximo (16 km) onde é admitido o alcance natural de ar e outros materiais das camadas mais baixas da atmosfera.
Esses resultados atendem à Nova Panspermia. Vida na Terra não apenas teria chegado "a bordo" de cometas e material cometário, há bilhões de anos atrás, mas continua ainda hoje nos alcançando em grande quantidade.